Quem tem medo do pop

A estrutura básica das canções pop não varia muito. Assim como a teoria musical, apesar de complexa e cheia de nuances, se baseia em padrões que se repetem.

Se olharmos atentamente, veremos que a grande maioria das canções pop se baseia na fórmula intro/verso/refrão/verso/refrão/solo/refrão/outro ou em variações dessa fórmula.

Não há nada de errado nisso, a criatividade do artista pop está em burlar essas regras sem ferir o que é mais importante no pop, as melodias assobiáveis e os ganchos tanto na melodia vocal quanto no instrumental.

Para se conseguir isso, é preciso um pouco de repetição. A medida certa da repetição é o que diferencia a boa música pop da lavagem cerebral que normalmente se escuta nas rádios.

Hoje em dia parece que há uma aversão à palavra “pop”. Se uma banda, como o Postal Blue, por exemplo, lança um disco pop, chovem os diminutivos nas resenhas: “popzinho”, “cdzinho”, “musiquinha”. Como se música pop fosse menos difícil de se fazer ou tivesse menos mérito do que seja lá o que for que é considerado artisticamente mais válido pelos que usam esses diminutivos.

Música é arte e tem o objetivo não só de entreter mas também de fazer pensar. É possível conseguir tudo isso dentro de dois minutos de verso/refrão. Tudo depende do talento do artista.

Fazer música pop que foge do lugar-comum e que tem conteúdo não é para qualquer um e tem tanto mérito quanto fazer música mais “experimental”, um rótulo que muitas vezes é usado para validar tentativas mal-sucedidas de compositores incapazes de experimentar sem alienar o ouvinte.

A situação da música atual é tal que o álbum como formato artístico está ameaçado. A tendência mundial, com o avanço das tecnologias e do file-sharing, é de haver muito mais ênfase na canção do que numa obra composta por várias canções. É uma volta ao paradigma do começo dos anos 60, quando os álbum conceituais ainda nem existiam.

Do ponto de vista comercial, quem quiser viver profissionalmente de música sempre terá que se adaptar às mudanças. Não se trata de comprometer a integridade, nem de se vender, mas de sobreviver. O álbum ainda é viável, ou é o que eu espero, e há espaço para músicos e compositores talentosos em todos os gêneros, o que não é aceitável é a depreciação do pop como invariavelmente descartável e sem conteúdo. Há inúmeros exemplos disso, mas o fato de um artista ser pop não invalida automaticamente seu trabalho.

Bom, minha idéia hoje era falar de estruturas na música pop, mas acabei me perdendo no caminho. Fica pra próxima.

Estou colocando aqui hoje mais uma música do nosso próximo CD. Como nas outras vezes, é uma gravação demo. As advertências de costume se aplicam como sempre.

_______________

You Should Keep It To Yourself

1 Response to “Quem tem medo do pop”


  1. 1 Glaidson 31 março, 2008 às 12:56 pm

    Adriano,

    Acabei de ler a maioria dos posts. Deixei acumular, e vou terminar de ler amanhã.
    Puxa, eu gostei muito dos textos. São bem espontâneos e o conteúdo é ótimo!
    Continue postando, não faça como eu🙂

    Um abraço!


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: