Ah, o doce cheiro de um violão novo!

Aconteceu inesperadamente, acordei hoje e fui gravar uns overdubs quando vi que precisava de um violão, coisa que não tenho. Pensei em pegar emprestado com o André, baterista do Postal Blue, mas ele mora longe e até eu ir lá e voltar, já teria acabado meu tempo livre para gravar.

Resolvi então encarar um dos meus maiores terrores: o centro de Taguatinga num sábado de manhã. Chegando lá, depois de estacionar a um quilômetro de distância, porque a Avenida Comercial está em obras e o engarrafamento estava desesperador, fui diretamente a minha loja preferida. Não que seja a melhor, mas é a única onde eu conheço o gerente e posso experimentar todos os equipamentos que eu quiser, sem ninguém me encher o saco.

Logo de cara, a triste (mas já esperada) constatação de que, aqui no Brasil, só o que se encontra nas lojas de instrumentos musicais são “tranqueiras” fabricadas na China.

Com a terceirização (leia-se escravização) da mão de obra pelas multinacionais, o processo de exploração da mão de obra barata se repete em ciclos. Primeiro, o Japão era a fonte de instrumentos “acessíveis”, fabricados com pouco know-how e mão de obra barata. Quando os japoneses começaram a se especializar, os instrumentos fabricados foram ficando melhores e a mão de obra foi ficando mais cara. Então os grandes fabricantes se voltaram para a Coréia, com o processo se repetindo. Agora (e já há alguns anos) a bola da vez é a China.

Não estou insinuando que tudo que vem da China é uma porcaria, estou dizendo é que, para reduzir os custos, o primeiro lugar onde as fábricas cortam despesas é no controle de qualidade. Por isso, é até possível encontrar um instrumento musical de qualidade entre os fabricados na China, mas dá um trabalho do caramba.

Hoje, por exemplo, como ia dizendo, cheguei à loja e dei de cara com a farta seleção de instrumentos chineses: Eagle, Cort, Condor, Lauren, Hofma… Marcas que qualquer músico que se preza tem vergonha de ser visto tocando. Ou será que isso é só um preconceito esnobe? O que é mais vergonhoso em ser visto tocando um violão Condor? É por que é uma marca sem tradição e sem o poder de impressionar de marcas como Fender (que aliás, com raras exceções, só fabrica porcarias e ainda tem muitos produtos manufaturados na mesma China) e Gibson (que, não só tem problemas de controle de qualidade, como precisa de alguém que mostre a seus diretores que somente a marca não é suficiente para garantir a qualidade do produto) ou é vergonhoso ser visto tocando um violão Condor porque esses produtos são fabricados com a exploração de mão de obra quase escrava e às vezes até infantil?

De qualquer maneira, conflitos éticos à parte, eu sou do tipo de consumidor que não se impressiona com marca. Tenho orgulho de ter uma pequena coleção de instrumentos que não me custaram o olho da cara e que soam tão bem quanto instrumentos muito mais caros.

Voltando aos violões, é impressionante como a competição elevou o nível de qualidade dos produtos para iniciantes (conhecidos como “entry-level”). Hoje em dia, por uns R$300-400, é possível comprar uma guitarra, um violão ou um baixo bem razoáveis. Coisa que 10 anos atrás era impensável, mesmo com a existência das linhas japonesas e coreanas. Tenho a clara lembrança de pagar $400 (dólares mesmo) numa Fender Squier japonesa. Hoje em dia é possível comprar uma Squier made in China por cerca de $100 lá fora.

A explosão de marcas chinesas no mercado trouxe esse fator altamente positivo e hoje pude ver em primeira mão mais uma vez como é possível se encontrar produtos bons numa faixa de preço impressionantemente baixa.

Vamos dar nomes aos bois: toquei hoje em violões de várias marcas, incluindo Takamine, Lauren, Cort, Condor, Eagle, Stringberg e Hofma. De todos, acabei ficando com um Hofma, que me pareceu tão bem acabado quanto um Takamine quatro vezes mais caro. O Takamine tinha um som levemente mais cheio e mais quente, mas o Hofma tinha um som mais articulado e com um pouco mais de projeção.

Aliás, fiquei impressionado como esse violão especificamente tem um som alto e nítido. Não parece um violão dessa faixa de preço de maneira alguma. A minha impressão ao testar o Hofma foi de que, numa gravação densa e cheia de outros instrumentos competindo por espaço nas freqüências médias, ele teria mais chances de ser notado sem grandes acrobacias na equalização.

De qualquer maneira, não recomendo comprar nenhum instrumento fabricado na China sem a possibilidade de testar o bichinho antes. Aliás, o melhor é poder testar vários, inclusive do mesmo modelo. É isso que o controle de qualidade faz numa fábrica, ou é o que faria, se isso existisse na China. Basta usar o ouvido e o bom senso. Neste caso específico, comparei violões de várias marcas e também várias unidades do mesmo modelo do Hofma até encontrar um que realmente me impressionou.

Semana que vem vou postar algumas gravações com o dito cujo para vocês verem que não estou mentindo. Antes que me perguntem, não sou pago para fazer propaganda da marca. Se houver interesse de mais alguém, posso escrever mais alguns posts sobre equipamentos, coisa que me interessa muito.

Bom, para voltar ao que interessa, que é a música, aqui vai mais um link para uma música do Postal Blue. “Puzzle”, do nosso segundo EP Weather Sensitive.

Vai também mais um link para uma música do selo Cloudberry.

Celestial – “Hope, You Know”

3 Responses to “Ah, o doce cheiro de um violão novo!”


  1. 1 Paulo Henrique Moreira 20 agosto, 2011 às 4:48 pm

    o meu kerido eu li sua matéria meus parabens viu ólha qero comprar um violão folk até 1000 reais folk e tal .. me da uma dica ai por favor
    repito muito legal essa materia em abriu bastante minha cabeça a respeito do assunto

  2. 2 Di Angellis 31 agosto, 2011 às 4:51 am

    Oii eu comprei um violão da Condor modelo SD10 CE. Mas na hora fiqei em duvida com o HOFMA HMF 250. Achei os dois super parecidos quando plugados. Paguei 360,00. Comprei ele pqe sei qe o valor de revenda do Condor é superior doqe o hofma pelo nome, daqi 10 meses vou comprar um takamine e pensando nisso peguei o condor qe é tão bom qnto o hofma

  3. 3 Ricardo 15 março, 2012 às 12:30 pm

    Oi gente! Queria pedir a opinião de vocês sobre os instrumentos da Rozini (violões, no caso), um fabricante tradicional aqui do Brasil. Ouvi falar muito bem deles mas como ainda não sei o suficiente sobre as melhores opções em termos de som fico aqui dependendo de uma dica de quem já entende bastante do assunto.

    Valeu!


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