Arquivo de março \31\UTC 2008

Quem tem medo do pop

A estrutura básica das canções pop não varia muito. Assim como a teoria musical, apesar de complexa e cheia de nuances, se baseia em padrões que se repetem.

Se olharmos atentamente, veremos que a grande maioria das canções pop se baseia na fórmula intro/verso/refrão/verso/refrão/solo/refrão/outro ou em variações dessa fórmula.

Não há nada de errado nisso, a criatividade do artista pop está em burlar essas regras sem ferir o que é mais importante no pop, as melodias assobiáveis e os ganchos tanto na melodia vocal quanto no instrumental.

Para se conseguir isso, é preciso um pouco de repetição. A medida certa da repetição é o que diferencia a boa música pop da lavagem cerebral que normalmente se escuta nas rádios.

Hoje em dia parece que há uma aversão à palavra “pop”. Se uma banda, como o Postal Blue, por exemplo, lança um disco pop, chovem os diminutivos nas resenhas: “popzinho”, “cdzinho”, “musiquinha”. Como se música pop fosse menos difícil de se fazer ou tivesse menos mérito do que seja lá o que for que é considerado artisticamente mais válido pelos que usam esses diminutivos.

Música é arte e tem o objetivo não só de entreter mas também de fazer pensar. É possível conseguir tudo isso dentro de dois minutos de verso/refrão. Tudo depende do talento do artista.

Fazer música pop que foge do lugar-comum e que tem conteúdo não é para qualquer um e tem tanto mérito quanto fazer música mais “experimental”, um rótulo que muitas vezes é usado para validar tentativas mal-sucedidas de compositores incapazes de experimentar sem alienar o ouvinte.

A situação da música atual é tal que o álbum como formato artístico está ameaçado. A tendência mundial, com o avanço das tecnologias e do file-sharing, é de haver muito mais ênfase na canção do que numa obra composta por várias canções. É uma volta ao paradigma do começo dos anos 60, quando os álbum conceituais ainda nem existiam.

Do ponto de vista comercial, quem quiser viver profissionalmente de música sempre terá que se adaptar às mudanças. Não se trata de comprometer a integridade, nem de se vender, mas de sobreviver. O álbum ainda é viável, ou é o que eu espero, e há espaço para músicos e compositores talentosos em todos os gêneros, o que não é aceitável é a depreciação do pop como invariavelmente descartável e sem conteúdo. Há inúmeros exemplos disso, mas o fato de um artista ser pop não invalida automaticamente seu trabalho.

Bom, minha idéia hoje era falar de estruturas na música pop, mas acabei me perdendo no caminho. Fica pra próxima.

Estou colocando aqui hoje mais uma música do nosso próximo CD. Como nas outras vezes, é uma gravação demo. As advertências de costume se aplicam como sempre.

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You Should Keep It To Yourself

So You Wanna Be a Rock’n'Roll Star…

Continuando no tema do último post, queria dizer, antes de mais nada, que também ainda estou aprendendo todo esse processo de composição, mas o pouco que eu sei talvez possa ser útil, por isso quero compartilhar.

Para começar a compor suas músicas, é importante, mas não indispensável, aprender a tocar um instrumento. No meu caso, escolhi guitarra/violão e piano/teclado (sempre que eu mencionar violão e piano neste texto, leia-se tanto guitarra e violão quanto piano e teclado, sei que há diferenças óbvias, mas tenha um pouco de paciência comigo).

Entre violão e piano, sugiro que aprenda os dois, mas qualquer outro instrumento polifônico que você possa tocar e cantar ao mesmo tempo serve.

Eu particularmente comecei pela guitarra, porque achava mais legal, mas, se pudesse voltar no tempo, teria aprendido piano primeiro, isto é, se tivesse condições financeiras. Não sei se foi porque já tinha uma base boa devido aos anos de estudo na guitarra, mas achei muito mais fácil aprender piano. Uma grande vantagem (me desculpem, pianistas) é que “basta” você apertar uma tecla e já sai som. Você não precisa desenvolver calos nos dedos e nem muita força na mão esquerda. Poxa, dá até pra tocar com uma só mão.;)

No meu caso, decidi aprender um pouco de piano e teclado porque queria gravar as músicas no computador e ficaria muito mais fácil programar midi se eu tivesse ao menos um domínio rudimentar do marfim. Tomei gosto pela coisa e, apesar de ainda ser péssimo, hoje adoro e pretendo levar a sério o estudo.

É claro que outras pessoas com certeza terão uma experiência diferente e acharão muito mais fácil começar pela guitarra.

Outro ponto a favor do piano é que você é praticamente forçado a aprender a ler música. Não é indispensável também, afinal de contas, há músicos fantásticos por aí que não sabem ler música, mas ajuda muito saber e eu sugiro que você NÃO faça como eu. Aprenda desde o começo. Basta pegar um manual de solfejo e treinar um pouquinho todo dia. Eu mesmo aproveitei as longas viagens de ônibus de casa para o trabalho alguns anos atrás para aprender muita coisa, inclusive praticar a leitura de partitura.

Bom, continuando, você já tem um piano ou um violão, então o que você precisa agora é de um bom professor ou de um bom método (eu prefiro os que vêm com CD). Agora é só se dedicar durante alguns meses para poder começar a escrever as suas músicas. Pode ir que eu espero.

…depois de seis meses…

Agora que você já tem um conhecimento básico de um instrumento, você já pode mandar ver nas composições. É claro que nada disso é indispensável, você pode fazer música mesmo sem saber tocar nada. Há inclusive compositores famosos que não tocam nenhum instrumento, como o Morrissey, por exemplo. Só que a sua vida vai ser bem mais fácil se você souber tocar alguma coisa.

Se você pretende cantar suas próprias músicas, você talvez precise de algum treinamento vocal. A melhor opção é pegar aulas com um bom professor. Vícios e problemas de impostação devem ser corrigidos no começo. Não faça como eu, busque orientação profissional desde o começo, há o risco de danos irreversíveis à sua voz se você forçar demais as cordas vocais com técnicas incorretas.

De qualquer maneira, isso não pode ser empecilho para o seu projeto musical. Há sempre a opção de comprar um bom método (com CD) ou um vídeo. Mas nada disso é indispensável também. O indispensável realmente é meter as caras e compor, tendo sempre em mente que essas coisas que eu listei até agora servem para facilitar (e muito) a sua vida e ajudar a alcançar melhores resultados.

Bom, fico aqui por hoje. Como estou escrevendo esses artigos sem muito planejamento, acabei escrevendo fora de ordem os passos. Por isso, agora que você leu este texto, pode voltar para o texto da semana passada e ver como é o meu processo de composição. Há muitas outras coisas envolvidas, mas fica para uma próxima vez.

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Voltando ao que mais interessa, que é a música da semana, desta vez estou disponibilizando uma faixa que estará no nosso próximo single, pelo selo Cloudberry Records. Esta versão ainda não é definitiva, ainda falta regravar algumas coisas e terminar de mixar, mas já está na metade do caminho, pelo menos. Deixe aqui nos comentários quaisquer dúvidas e opiniões que quiser. Vai, pode escrever, não precisa ter vergonha.

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Laughing and Crying

Faça você mesmo

Várias pessoas têm me pedido para escrever sobre o processo de composição, então vou escrever um pouco sobre o pouco que eu sei.

Há várias maneiras de se escrever uma música, aliás, há tantas maneiras quanto há compositores. Mais ainda, porque, embora algumas pessoas componham sempre da mesma forma, outras, como eu, têm mais de um método.

Portanto, vou relacionar resumidamente alguns métodos.

  • Música primeiro
  • Melodia primeiro
  • Letra primeiro
  • Improviso
  • Cópia
  • Inspiração divina

Música primeiro – meu método preferido é criar a melodia junto com a progressão de acordes. Começo tocando uma sequência de acordes que eu ache interessante repetidamente e tento criar uma melodia para a voz. Isso pode ser feito também gravando uma sequência de acordes, uma variação desse método é gravar a seqüência de acordes e tentar criar a melodia com a voz ou com outro instrumento, como o piano.

Melodia primeiro – outro método é criar a melodia de voz primeiro (cantarolando, por exemplo) e depois adicionar a progressão de acordes. Funciona como o método acima, mas ao contrário.

Letra primeiro – muitos compositores escrevem a letra primeiro. Eu particularmente nunca fiz isso, portanto não posso comentar nada sobre esse método.

Improviso – o improviso é muito usado quando se tem uma banda para compor junto. Alguém sugere uma progressão de acordes ou um riff e em cima disso, todo mundo tenta criar alguma coisa. Não gosto muito desse método porque o que soa bem no calor do momento não necessariamente funciona depois. Esse método pode funcionar bem se você tiver como gravar tudo e depois pinçar as partes interessantes, fazendo uma edição.

Cópia – um método muito usado, mas que poucos admitem é começar sua música a partir de outra música. Uma banda que eu me lembro já ter confessado fazer isso é o New Order. Outra, mais óbvia, é o Oasis. Não há nada de errado nisso, desde que você crie alguma coisa original e não resvale no plágio. Um exemplo desse método é a música “The World Doesn’t Need You” inspirada diretamente pela música “Foxheads StalkThis Land” da banda Close Lobsters. Tudo que restou da música original foi uma parte da seqüência de acordes, o resto foi sendo modificado até surgir uma música totalmente diferente.

Inspiração divina – o último método é bem mais raro e é resultado de trabalho contínuo. Quando você está sempre compondo, fica mais fácil vir uma música do nada. Essas muitas vezes são as melhores idéias que você, mas têm a desvantagem de aparecerem nos momentos mais inoportunos, por isso, muitos músicos andam sempre com um gravador ou com um bloquinho de anotações para registrar as idéias. Saber ler música é muito útil nessas horas porque você pode anotar em qualquer lugar. Há também que sonhe com músicas e acorde no meio da noite para registrar as idéias. Já aconteceu comigo. Numa atualização futura vou colocar aqui uma exemplo de música “sonhada”.

Se alguém tiver alguma dúvida ou quiser alguma dica sobre composição, basta deixar um comentário aqui ou me mandar um email.

Para não perder o costume, vou colocar um link para mais uma música nossa. Essa não é nova, mas é uma das minhas preferidas. Trata-se da versão de “Weather Sensitive” que nós gravamos para nosso álbum International Breeze. Esta versão, para mim, é muito melhor do que a versão do EP, mas parece que a que mais rola nos blogs e sites por aí é a do EP. Vou tentar remediar essa situação colocando essa versão aqui e pedindo para todos baixarem e distribuirem para quem quiser.

Weather Sensitive

Segunda-feira, dia de alegria.

Como combinado e como pretendo fazer durante um bom tempo, segunda-feira aqui é dia de música nova. Esta é a terceira música inédita que eu estou disponibilizando.

Como no caso das duas músicas anteriores, esta também foi gravada no mesmo esquema: computador, Sonar, soft synths, órgão B-4, soundfonts etc. E, aliás, sem controlador midi também. Portanto, tudo que se ouve nessa gravação é digital, com exceção de guitarra, baixo e voz.

Não que eu não goste de instrumentos de verdade. Muito pelo contrário. Se possível, eu preferiria ter gravado com microfones valvulados, um órgão B-3 vintage, sintetizadores analógicos tipo um Prophet ou um Moog Opus e bateria acústica. Mas, infelizmente, não é possível.

Essa situação, aliás, mudou um pouco recentemente, porque eu sou agora o feliz proprietário de um órgão Farfisa Mini Compact dos anos 60 e de um sintetizador moderninho mas que tenta emular os antigos sintetizadores analógicos chamado Alesis Micron. São dois instrumentos que eu adoro e que são muito úteis, principalmente o Micron. Mas nenhum dos dois foi utilizado nesta gravação, isso fica para uma próxima segunda-feira.

Esta música especificamente foi gravada há uns dois anos, mas somente aparece agora porque eu fiquei longe da música por mais de um ano e porque eu pretendia lançar essa e outras (inclusive as outras que já postei) num disco solo num futuro incerto. Aliás, uma das minhas músicas solo já foi lançada sob o nome Adélie pela gravadora canadense Humblebee Recordings, a mesma que lançou nosso último EP.

De volta à música do dia, nessa gravação, como havia dito, tudo que se ouve sou eu e o mouse, acompanhado de guitarra e baixo elétricos. Foi uma das primeiras que eu gravei inteiramente sozinho. Estão nos meus planos, inclusive, fazer um vídeo para essa música, que vocês provavelmente verão nos youtubes da vida. O roteirinho já está sendo desenvolvido.

Bem, vamos ao que interessa:

When You’re Not Here


Mais uma música!

Ontem foi meu aniversário! Parabéns para mim! Mas aqui quem ganha o presente é você, como diria o comercial.

Sei que não faz uma semana ainda que disponibilizei a música anterior, mas como comecei a versão lusófona do blog (sim, existe um Weather Sensitive Brasil e um Weather Sensitive internacional) depois da versão anglófona, as músicas acabaram ficando desencontradas. Por isso, estou disponibilizando mais uma música hoje.

Esta é uma música que me deu muito trabalho. Quem é músico e já trabalhou com midi sabe que, para arranjar uma música num sequenciador como o Sonar, você precisa de um controlador midi, como um teclado ou uma guitarra midi. Quando fiz esta música, eu ainda não tinha um controlador. Então, para espanto e estupefação geral, acreditem, fiz a música toda (com exceção de guitarra e baixo) dentro do Sonar, CLICANDO COM O MOUSE em todas as notas que eu queria e voltando, ouvindo, corrigindo, clicando, voltando, ouvindo, corrigindo, ad nauseam.

Espero que todos tenham isto em mente ao ouvir e dêem o merecido valor a esta pequena jóia, resultado da falta de recursos, da criatividade e do puro amor pela música, sem falar na cabeça dura.

a maldita tela de edição do sequencer do sonar

Outro aspecto interessante desta faixa é que ela somente é instrumental porque não consegui até hoje bolar um arranjo de voz para a bendita. Já tentei de tudo, várias melodias, letras, ba da bas, pa pa pas, mas nada funcionou a contento. Por isso, vai instrumental mesmo. Para quem gosta de New Wave, não deixe de conferir porque é uma música chicletuda e contagiante e provavelmente fará parte de um lançamento futuro da banda.
Sem mais:

Two

Música nova!

Esta música já está disponível no nosso last.fm há algum tempo, mas pouca gente ouviu, por isso, resolvi disponibilizar aqui por tempo limitado. Quem não ouvir agora poderá ouvir futuramente no podcast que vai reunir todas as músicas que serão colocadas aqui.

Esta é uma gravação demo, portanto, não exijam muito nem da produção nem da execução. Várias partes são, inclusive, coisas gravadas em primeiro take, enquanto eu fazia o arranjo.

Num futuro próximo, vou regravá-la para o meu próximo CD, sobre o qual nada ainda está decidido. Não sei se será um álbum ou um single, se eu mesmo lançarei ou se será por alguma gravadora… A única coisa que eu já decidi é que esta música com certeza estará no próximo disco porque é uma das minhas preferidas.

For You

Ah, o doce cheiro de um violão novo!

Aconteceu inesperadamente, acordei hoje e fui gravar uns overdubs quando vi que precisava de um violão, coisa que não tenho. Pensei em pegar emprestado com o André, baterista do Postal Blue, mas ele mora longe e até eu ir lá e voltar, já teria acabado meu tempo livre para gravar.

Resolvi então encarar um dos meus maiores terrores: o centro de Taguatinga num sábado de manhã. Chegando lá, depois de estacionar a um quilômetro de distância, porque a Avenida Comercial está em obras e o engarrafamento estava desesperador, fui diretamente a minha loja preferida. Não que seja a melhor, mas é a única onde eu conheço o gerente e posso experimentar todos os equipamentos que eu quiser, sem ninguém me encher o saco.

Logo de cara, a triste (mas já esperada) constatação de que, aqui no Brasil, só o que se encontra nas lojas de instrumentos musicais são “tranqueiras” fabricadas na China.

Com a terceirização (leia-se escravização) da mão de obra pelas multinacionais, o processo de exploração da mão de obra barata se repete em ciclos. Primeiro, o Japão era a fonte de instrumentos “acessíveis”, fabricados com pouco know-how e mão de obra barata. Quando os japoneses começaram a se especializar, os instrumentos fabricados foram ficando melhores e a mão de obra foi ficando mais cara. Então os grandes fabricantes se voltaram para a Coréia, com o processo se repetindo. Agora (e já há alguns anos) a bola da vez é a China.

Não estou insinuando que tudo que vem da China é uma porcaria, estou dizendo é que, para reduzir os custos, o primeiro lugar onde as fábricas cortam despesas é no controle de qualidade. Por isso, é até possível encontrar um instrumento musical de qualidade entre os fabricados na China, mas dá um trabalho do caramba.

Hoje, por exemplo, como ia dizendo, cheguei à loja e dei de cara com a farta seleção de instrumentos chineses: Eagle, Cort, Condor, Lauren, Hofma… Marcas que qualquer músico que se preza tem vergonha de ser visto tocando. Ou será que isso é só um preconceito esnobe? O que é mais vergonhoso em ser visto tocando um violão Condor? É por que é uma marca sem tradição e sem o poder de impressionar de marcas como Fender (que aliás, com raras exceções, só fabrica porcarias e ainda tem muitos produtos manufaturados na mesma China) e Gibson (que, não só tem problemas de controle de qualidade, como precisa de alguém que mostre a seus diretores que somente a marca não é suficiente para garantir a qualidade do produto) ou é vergonhoso ser visto tocando um violão Condor porque esses produtos são fabricados com a exploração de mão de obra quase escrava e às vezes até infantil?

De qualquer maneira, conflitos éticos à parte, eu sou do tipo de consumidor que não se impressiona com marca. Tenho orgulho de ter uma pequena coleção de instrumentos que não me custaram o olho da cara e que soam tão bem quanto instrumentos muito mais caros.

Voltando aos violões, é impressionante como a competição elevou o nível de qualidade dos produtos para iniciantes (conhecidos como “entry-level”). Hoje em dia, por uns R$300-400, é possível comprar uma guitarra, um violão ou um baixo bem razoáveis. Coisa que 10 anos atrás era impensável, mesmo com a existência das linhas japonesas e coreanas. Tenho a clara lembrança de pagar $400 (dólares mesmo) numa Fender Squier japonesa. Hoje em dia é possível comprar uma Squier made in China por cerca de $100 lá fora.

A explosão de marcas chinesas no mercado trouxe esse fator altamente positivo e hoje pude ver em primeira mão mais uma vez como é possível se encontrar produtos bons numa faixa de preço impressionantemente baixa.

Vamos dar nomes aos bois: toquei hoje em violões de várias marcas, incluindo Takamine, Lauren, Cort, Condor, Eagle, Stringberg e Hofma. De todos, acabei ficando com um Hofma, que me pareceu tão bem acabado quanto um Takamine quatro vezes mais caro. O Takamine tinha um som levemente mais cheio e mais quente, mas o Hofma tinha um som mais articulado e com um pouco mais de projeção.

Aliás, fiquei impressionado como esse violão especificamente tem um som alto e nítido. Não parece um violão dessa faixa de preço de maneira alguma. A minha impressão ao testar o Hofma foi de que, numa gravação densa e cheia de outros instrumentos competindo por espaço nas freqüências médias, ele teria mais chances de ser notado sem grandes acrobacias na equalização.

De qualquer maneira, não recomendo comprar nenhum instrumento fabricado na China sem a possibilidade de testar o bichinho antes. Aliás, o melhor é poder testar vários, inclusive do mesmo modelo. É isso que o controle de qualidade faz numa fábrica, ou é o que faria, se isso existisse na China. Basta usar o ouvido e o bom senso. Neste caso específico, comparei violões de várias marcas e também várias unidades do mesmo modelo do Hofma até encontrar um que realmente me impressionou.

Semana que vem vou postar algumas gravações com o dito cujo para vocês verem que não estou mentindo. Antes que me perguntem, não sou pago para fazer propaganda da marca. Se houver interesse de mais alguém, posso escrever mais alguns posts sobre equipamentos, coisa que me interessa muito.

Bom, para voltar ao que interessa, que é a música, aqui vai mais um link para uma música do Postal Blue. “Puzzle”, do nosso segundo EP Weather Sensitive.

Vai também mais um link para uma música do selo Cloudberry.

Celestial – “Hope, You Know”

Pop internacional

A cena indiepop internacional nunca esteve tão recheada de boas bandas. Foi-se o tempo em que as bandas mais comentadas eram somente as americanas e inglesas. Pela internet afora, o que não faltam são blogs que focam bandas de fora do eixo EUA/Reino Unido. Já não é segredo mesmo para os americêntricos e eurocêntricos que se faz pop de altíssima qualidade fora dos lugares tradicionais.

É na última onda deste movimento que se encaixam os selos Cloudberry Records e Plastilina Records, capitaneados por um jovem peruano chamado Roque, defensor do pop inocente e da ética punk. A proposta da gravadora é romântica, espelhada na tradição de gravadoras legendárias como Sarah e Postcard.

O selo Cloudberry, por exemplo, é descendente direto dos selos que se especializavam no lançamento de cassetes, somente pelo amor à música, sem maiores pretensões comerciais. Pop de alta qualidade a preços acessíveis, numa tentativa de socializar a música.

Muito se discutiu na internet recentemente se o selo era importante ou não e, apesar de tantos detratores, é quase consenso que trata-se de uma gravadora que tem feito muito pelo indiepop internacional, lançando bandas sul-americanas, asiáticas e européias que estão de certa forma fora dos grandes centros e que não têm possibilidade de tentar a sorte nos principais mercados. A intenção é realmente enaltecer o pop e fazer o melhor possível para atingir o coração de quem ouve, sem preocupações mercadológicas.

É claro que pop é, por definição, comercial, mas isso não significa que não se possa praticar o gênero com criatividade e inventividade, mesmo que os detratores do gênero usem adjetivos como “comportado”, “bonitinho”, “popzinho”, “inofensivo”. Nada mais rebelde no mundo de hoje do que ser “bonitinho”, “inofensivo”, fazer “popzinho” e, o maior dos contra-sensos, fazê-lo pelo amor à música e não pelo potencial mercadológico.

A ausência de pretensão e de agressividade é justamente o que atrai os fãs do gênero. Quem acompanha a música independente sabe que os herdeiros da ética punk hoje não são os Green Days da vida, mas os carinhas encardidos que gravam no computador e distribuem as músiquinhas em cd-rs e mp3s. A agressividade do punk era uma reação à alegria apática da Disco. Era um meio, não um fim.

Bem, deixa eu trabalhar um pouco, senão o patrão me manda embora. No próximo post vou colocar uns links para mp3s essenciais da nova leva do pop internacional.

Por enquanto, fiquem com a clássica “Popkids of the World Unite”, da banda Horowitz.

Enfim, um blog.

Muitos que me conhecem sabem que eu tenho uma birra desse tal de blogue. Nunca quis ter um. Aliás, sempre fui contra essas modas de internet, myspace, orkut, blog, email…

Mas como não dá pra lutar contra o progresso, resolvi dar o braço a torcer e botar minha opinião no ar. E opinião eu gosto de ter muita, o que aliás só me causa problema.

Minha intenção aqui é falar sobre as coisas de que eu mais gosto: música, pintura, literatura, talvez até futebol, mas basicamente música mesmo. Sobre o mundo da música independente, sobre o processo de composição, gravação e lançamento de discos e vão pintar até umas resenhas de discos e mp3s de músicas que eu acho indispensáveis. Também vou falar, como não poderia deixar de ser, das coisas que eu NÃO gosto. Só preciso tomar cuidado pra essa parte não tomar conta.

Este blog também vai servir como válvula de escape para minhas músicas. Periodicamente vou disponibilizar uma música nova. Pode acontecer de pintar uma música gravada pelo Postal Blue, mas 99% serão gravações demo feitas por mim, provavelmente de músicas que serão trabalhadas e gravadas pela banda.

As músicas ficarão online por tempo limitado. Quem não baixar, terá a oportunidade de ouvir tudo num futuro próximo, num podcast que pretendo disponibilizar aqui mesmo.

Bom, é isso, fiquem ligados para atualizações. Para quem é músico ou para quem curte música, haverá muito assunto e eu prometo que muita coisa útil vai aparecer por aqui.

Como estou me sentindo magnânimo, vai aí um link de uma música do Postal Blue:

The World Doesn’t Need You



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